Reduzir colesterol não diminui risco cardíaco

Estudo publicado no BMJ demonstrou que substituir o consumo de gorduras saturadas por óleos vegetais ricos em ácido linoleico reduziu efetivamente o colesterol sérico, no entanto, não apresentou nenhum benefício clínico.
 
A tradicional “hipótese da dieta cardíaca”, prevê que a substituição de gordura saturada por óleos vegetais ricos em ácido linoleico, ao diminuir os níveis séricos de colesterol, é capaz de reduzir a mortalidade por doenças cardiovasculares. Embora muitos estudos apoiam a teoria, este paradigma nunca foi causalmente demonstrado em um estudo randomizado controlado.
 
Assim, uma equipe de pesquisadores norte-americanos liderados por Ramsden, recuperaram dados não publicados de um grande estudo randomizado controlado realizado há 45 anos. O Minnesota Coronary Experiment (MCE), acompanhou 9.423 pacientes de hospitais psiquiátricos estaduais e em uma casa de repouso durante cerca quatro anos e meio.
 
O estudo avaliou se a substituição de gordura saturada por óleo vegetal rico em ácido linoleico (óleo de milho) reduziu o risco de doença cardiovascular e morte, diminuindo os níveis de colesterol no sangue. O grupo controle recebeu uma dieta rica em gordura saturada. 
 
Como esperado, a dieta enriquecida com ácido linoleico teve os níveis sanquíneos de colesterol significativamente reduzidos (p<0,001), mas isso não se traduziu em maior sobrevida. Curiosamente, os participantes que apresentaram maior redução no colesterol tiveram 22% maior risco de morte para cada redução de 30 mg/dL no colesterol sérico (p<0,001). Além disso, não houve evidência de benefícios da intervenção sobre aterosclerose e infarto do miocárdio.
 
Após esses resultados, a equipe conduziu uma revisão sistemática e metanálise incluindo 5 ensaios clínicos randomizados controlados semelhantes (n= 10.808) e os resultados demonstraram que as intervenções para redução do colesterol sérico também não apresentaram nenhuma evidência de benefício na mortalidade por doença cardíaca ou outras causas.
 
Os pesquisadores afirmam que “os resultados não fornecem suporte para a o princípio de que a redução no colesterol sérico como efeito da substituição de gordura saturada por ácido linoleico se traduz em redução de riscos de doença cardíaca e mortalidade”. Os autores também observam que, embora pequenas quantidades de ácido linoleico sejam essenciais para a saúde, seu consumo elevado não é natural na dieta humana.
 
Após apontar algumas limitações do estudo que poderiam ter influenciado os resultados, os autores sugerem que uma revisão cuidadosa das evidências que sustentam as recomendações dietéticas deve ser realizada e, enquanto isso, os profissionais devem incentivar o consumo de peixes, frutas, legumes e grãos integrais, e evitar o consumo de sal, açúcar e gorduras trans industrializadas.

Referência(s)

Ramsden CE, Zamora D, Majchrzak-Hong S, Faurot KR, Broste SK, Frantz RP, et al. Re-evaluation of the traditional diet-heart hypothesis: analysis of recovered data from Minnesota Coronary Experiment (1968-73). BMJ. 2016; 353:i1246.

Sal promove consumo excessivo de gordura

De acordo com um estudo publicado no Journal of Nutrition, a adição de sal aumenta a agradabilidade de alimentos, o consumo de alimentos e de energia, e, consequentemente, promove passivamente o consumo excessivo de gordura.
 
Em um estudo randomizado cruzado, 48 adultos saudáveis foram recrutados e sua sensibilidade ao sabor de gordura foi avaliada por determinação do limiar de detecção de ácido oleico (18: 1n-6). Os voluntários participaram de 4 sessões na hora do almoço e após um desjejum padronizado.
 
As refeições consistiam de macarrão (56%), com molho (44%) e havia quatro tipos de molho: 1 – baixo teor de gordura / baixo teor de sal (0,02% de gordura e 0,06% de cloreto de sódio – NaCl), 2 – baixo teor de gordura / alto teor de sal (NaCl a 0,5%,), 3 – elevado teor de gordura / baixo teor de sal (34% de gordura) 4 – alto teor de gordura / alto teor de sal. Foram realizadas avaliação da ingestão alimentar e avaliações subjetivas de fome e saciedade.
 
O sal aumentou a ingestão de alimentos e de energia em 11%, independente da concentração de gordura presente na refeição (p=0,022). Não houve efeito da gordura na ingestão de alimentos (p=0,6), mas as refeições ricas em gordura aumentaram o consumo de energia em 60% (p<0,001). 
 
As mulheres consumiram 15% a menos em peso das refeições com alto teor de gordura do que as refeições com baixo teor de gordura. A sensibilidade gustativa à gordura foi negativamente associada com a ingestão de refeições com alto teor de gordura, mas apenas na presença de baixo teor de sal.
 
“O aumento excessivo de gordura na dieta não exerce efeito principal sobre a ingestão de alimentos, no entanto, levou a um consumo de energia 60% maior. A adição de sal aumenta a agradabilidade e a ingestão de alimentos e energia, independentes da concentração de gordura”, concluem os autores. “Portanto, o sal promove, passivamente, o consumo excessivo de gordura na dieta. Os indivíduos com sensibilidade gustativa à gordura são capazes de ajustar a ingestão de gordura, embora este efeito parece ser contrariado pelo aumento da agradabilidade devido à adição de sal”, afirmam.

Referência(s)

Bolhuis DP, Costanzo A, Newman LP, Keast RS. Salt Promotes Passive Overconsumption of Dietary Fat in Humans. J Nutr. 2016

Suplementação de proteínas e vitamina D preserva massa magra em idosos obesos‏

Um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition sugere que a suplementação de idosos obesos submetidos à dieta hipocalórica e treinamento de força.com alta concentração de proteínas de soro do leite, leucina e vitamina D, preserva a massa muscular quando comparada com suplemento isocalórico.
 
Varrejein e colaboradores, conduziram um estudo duplo-cego e randomizado que avaliou o efeito do uso de suplemento hiperproteico com leucina e vitamina D (150 kcal e 21g de proteína/ dia) na preservação da massa muscular em 80 idosos obesos durante um programa de perda de peso intencional.
 
O programa de perda de peso teve duração de 13 semanas, e durante esse período todos os indivíduos seguiram uma dieta hipocalórica (com redução de 600 kcal do valor calórico total) associada a um treinamento de resistência 3 vezes por semana. Os indivíduos foram aleatoriamente divididos para receber suplemento hiperproteico com leucina e vitamina D ou suplemento placebo isocalórico.
Os resultados demonstraram que ambos os grupos apresentaram redução do peso corporal, porém, o grupo que recebeu o suplemento hiperproteico apresentou aumento de massa muscular apendicular e massa muscular em membros inferiores.
 
Os autores afirmam que esse estudo é o primeiro a mostrar que o uso de um suplemento contendo alta quantidade de proteína de soro do leite, leucina e vitamina D preserva a massa muscular durante a perda de peso intencional por uma dieta hipocalórica combinada com exercícios de resistência em idosos obesos, e que estes resultados suportam a conduta de aumentar a ingestão de proteína de alta qualidade e em quantidade suficiente durante um programa de perda de peso para ajudar na prevenção da sarcopenia induzida pela perda de peso.

 

Referência(s)
Verreijen AM, Verlaan S, Engberink MF, Swinkels S, de Vogel-van den Bosch J, Weijs PJ. A high whey protein-, leucine-, and vitamin D-enriched supplement preserves muscle mass during intentional weight loss in obese older adults: a double-blind randomized controlled trial. Am J Clin Nutr. 2015; 101(2):279-86.

Data:            04/09/2015
Autor(a):       Alweyd Tesser

Alimentos sem glúten não são mais saudáveis que alimentos com glúten

Um estudo publicado na revista British Journal of Nutrition concluiu que é improvável que o consumo de produtos sem glúten confira benefícios à saúde, a menos que haja clara evidência doença celíaca, intolerância ou alergia ao glúten.
 
Conduzido por Wu e colaboradores, o estudo avaliou a qualidade nutricional de alimentos com e sem glúten em grupos de alimentos básicos e em uma vasta gama de produtos considerados supérfluos em supermercados da Austrália. Informações nutricionais dos rótulos foram sistematicamente obtidas de todos os alimentos embalados em quatro grandes supermercados em Sidney, Austrália, em 2013. Os produtos alimentares foram classificados como livre de glúten (GF) se uma declaração aparecia em qualquer parte da embalagem do produto; ou em alimento com glúten se eles continham glúten, trigo, centeio, triticale, cevada, aveia ou trigo vermelho. 
 
O desfecho primário foi o ‘Health Star Rating’ (HSR: escore mais baixo 0,5 estrelas; escore ótimo 5 estrelas), um esquema de perfil de nutrientes aprovado pelo governo Australiano. Diferenças no conteúdo de nutrientes individuais foram exploradas em análises secundárias. 
 
Um total de 3213 produtos entre 10 categorias de alimentos foi incluído. Em média, a massa seca simples de produtos GF pontuou aproximadamente 0,5 menos estrelas (p<0,001) comparada com produtos que continham glúten. Entretanto, não houve diferenças significativas no HSR médio para pães ou cereais matinais prontos para o consumo (p 0,42 para ambos). 
 
Em comparação aos produtos que continham glúten, os produtos GF tiveram médias consistentemente mais baixas de proteína entre todos os três grupos de produtos alimentares, em particular para massa e pães (52 e 32% menos, p<0,001 para ambos). 
 
Uma proporção substancial de alimentos da categoria de “supérfluos” tinha rótulos GF (ex: 87% das carnes processadas) e o HSR médio de alimentos supérfluos GF não foi superior àqueles dos produtos que continham glúten.
 
“Há a probabilidade de que a rotulagem de GF vem sendo utilizada para inferir um conceito injustificado de saúde para itens discricionários. Dados os efeitos adversos para a saúde causados por dietas deficientes na Austrália e em outras partes do mundo, iniciativas políticas devem visar o aumento do consumo de alimentos básicos tais como grãos integrais, frutas e legumes e a redução no consumo de alimentos discricionários (GF ou de outra forma) como uma prioridade de saúde pública”, afirmam os autores.

Referência(s)

Wu JH, Neal B, Trevena H, Crino M, Stuart-Smith W, Faulkner-Hogg K, et al. Are gluten-free foods healthier than non-gluten-free foods? An evaluation of supermarket products in Australia. Br J Nutr. 2015


Autor(a):       Alweyd Tesser

Idosos que comem sozinhos tem mais chances de se tornarem obesos

Estudo relata que homens que comem exclusivamente sozinhos e vivem sozinhos apresentam mais chances de se tornarem obesos do que os idosos que comem acompanhados e vivem com outros.
 
Com o objetivo de examinar a associação entre comer e/ou morar sozinho com a presença de hábitos alimentares inadequados e o estado nutricional, pesquisadores japoneses conduziram um estudo populacional no Japão que entrevistou 38.690 homens e 43.674 mulheres com idade acima de 65 anos de idade. O estado nutricional foi avaliado através do índice de massa corporal (IMC) e os hábitos alimentares através de um questionário aplicado.
 
Os autores observaram que homens que comem exclusivamente isolados pulam 3,74 vezes mais refeições do que os que comem acompanhados. Já os que vivem e comem sozinhos pulam ainda mais refeições (5,42 vezes). Em relação às mulheres que comem sozinhas e pulam refeições, essa taxa é 2,69 vezes. Adicionalmente, homens e mulheres que vivem exclusivamente sozinhos, apresentam maior chance de consumir pequena quantidade de frutas e verduras (1,59 e 1,32 vezes, respectivamente) em relação aos que vivem acompanhados.
 
O estudo relata ainda que homens que comem exclusivamente sozinhos e vivem sozinhos apresentam 1,34 vezes mais chances de se tornar obeso (IMC>30kg/m²) do que os idosos que comem acompanhados e vivem com outros. Por outro lado, idosos que comem sozinhos apresentam mais chance de desenvolver desnutrição (IMC, índice de massa corporal, < 18 kg/m²) do que os que comem acompanhados, independente de morarem sozinhos ou acompanhados.
 
Considerando esses resultados, os autores afirmam que o isolamento social pode apresentar grande impacto no comportamento alimentar e estado nutricional de idosos.

Referência(s)

Tani Y, Kondo N, Takagi D, Saito M, Hikichi H, Ojima T, et al. Combined effects of eating alone and living alone on unhealthy dietary behaviors, obesity and underweight in older Japanese adults: Results of the JAGES. Appetite. 2015

Data:            31/07/2015
Autor(a):       Alweyd Tesser

Força do aperto de mão é preditora de custo hospitalar

Um estudo publicado no European Journal of Clinical Nutrition demonstrou que a baixa força no aperto de mão na admissão hospitalar está associada a um aumento dos custos de hospitalização. “Sabe-se que a desnutrição na admissão, está relacionada ao aumento dos custos hospitalares, e que a força de aperto de mão (FAM) é um indicador de subnutrição. No entanto, a capacidade da FAM para prever os custos de hospitalização ainda não estava bem elucidada, o que inspirou esse estudo”.
 
Trata-se de um estudo prospectivo, conduzido por pesquisadores portugueses em um hospital universitário. A FAM foi avaliada por dinamometria e os pacientes também foram submetidos à avaliação subjetiva global (ASG). Os pacientes foram divididos em quartis de acordo com a FAM, sendo o quarto quartil, a FAM mais alta.
De acordo com os resultados, estar no primeiro ou segundo quartil de FAM na admissão hospitalar aumentou os custos de hospitalização do paciente, respectivamente, em 17,5% e 21,4%, que se traduziu num aumento de 375 para 458 euros. 
 
Após o ajuste adicional para o status de desnutrição, estar no primeiro ou segundo quartil de FAM teve, respectivamente, um impacto econômico de 16,6% e 20%, correspondendo a um aumento das despesas de hospitalização de 356 para 428 euros.
 
Os autores concluem que a baixa FAM está associada a um aumento dos custos de hospitalização entre 16,6 e 20%, e afirmam que a FAM é um método barato, não invasivo, fácil de usar e que tem potencial clínico para prever os custos de hospitalização.

Referência(s)

Guerra RS, Amaral TF, Sousa AS, Pichel F, Restivo MT, Ferreira S, et al. Handgrip strength measurement as a predictor of hospitalization costs. Eur J Clin Nutr. 2015; 69(2):187-92.

Data:            09/10/2015
Autor(a):       Alweyd Tesser

Consumo de iogurte diminui fatores de risco cardiometabólicos

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, demonstrou que o consumo de iogurte com probióticos (IP) em comparação com iogurte desnatado convencional (ID), juntamente com as principais refeições, podem ter efeitos positivos sobre o perfil lipídico e sensibilidade à insulina de mulheres com sobrepeso e obesidade durante um programa de perda de peso.

Um total de 89 mulheres com índice de massa corporal entre 27 e 40 kg/m² que consumiam regularmente iogurte desnatado, foram convidadas a consumir IP ou ID todos os dias junto com as suas refeições principais durante um programa de perda de peso. As participantes foram aleatoriamente divididas entre os dois grupos, IP e ID e foram acompanhadas durante 12 semanas.

Uma redução estatisticamente significativa nas medidas antropométricas e melhorias significativas nas características de risco cardiometabólico foram observadas ao longo das 12 semanas em ambos os grupos. No entanto, não houveram diferenças significativas na perda de peso e medidas antropométricas entre os grupos após a intervenção.

Comparado com o grupo ID, o grupo IP teve uma maior diminuição do colesterol total (IP= -0,36±0,10 mmol/L, ID= -0,31±0,10 mmol/L; p= 0,024), lipoproteína de baixa densidade (IP= -0,35±0,10 mmol/L, ID= -0,31±0,11 mmol/L; p= 0,018), glicemia pós-prandial (IP= -0,61±0,24 mmol/L, ID= -0,44±0,19 mmol/L; p<0,001), e concentração de insulina em jejum (IP= -1,76±1,01 mU/mL, ID= -1,32±0,62 um/mL; p = 0,002). Nenhuma diferença significativa foi encontrada para glicemia de jejum, lipoproteína de alta densidade ou triglicérides em ambos os grupos após as 12 semanas.

“O consumo de IP em comparação com ID, juntamente com as principais refeições, não apresentou efeitos significativos sobre a perda de peso. No entanto, pode ter efeitos positivos sobre o perfil lipídico e sensibilidade à insulina”, concluem os autores.”

Autor(a):       Alweyd Tesser

Dieta mediterrânea pode melhorar o humor a curto prazo

Pesquisadores australianos observaram que mulheres jovens que aderiram a dieta mediterrânea apresentaram após 10 dias elevação no contentamento e no estado de alerta, redução da confusão mental e na pressão arterial, além de uma melhora significativa de aspectos cognitivos.
 
Trata-se de um estudo cruzado, no qual 24 mulheres saudáveis foram alocadas aleatoriamente para seguir um plano de alimentação de estilo mediterrâneo (MedDi), ou para continuar com sua dieta normal, sem mudança (ND) durante 10 dias. Após os primeiros 10 dias, as participantes foram trocadas de grupo em uma forma de contrapeso (as mulheres do grupo MedDi passaram a ser do grupo ND, e as mulheres do grupo ND passaram a seguir a dieta mediterrânea). As voluntárias do grupo MedDi receberam um plano alimentar e diários alimentares para documentar sua ingestão alimentar ao longo do estudo. As do grupo ND foram instruídas a continuar a sua alimentação, como de costume, e também documentaram sua dieta no diário alimentar.
 
Os pesquisadores utilizaram um sistema computadorizado de avaliação de desempenho mental, que avaliou vários domínios cognitivos, incluindo atenção, memória imediata, memória a longo prazo e funcionamento executivo.
 
A dieta exerceu um efeito significativo no peso. As participantes na condição MedDi tiveram uma média de redução de peso de 1,77 kg (DP = 1,55), com um aumento de 0,11 kg (DP = 1,60) na condição ND. No entanto, a alteração no IMC não foi significativa. 
 
Os testes psicológicos aplicados demonstraram que o contentamento e estado de alerta foram aumentados e a confusão mental foi reduzida, na condição MedDi em comparação com a ND. Houve também um efeito significativo da dieta mediterrânea na memória imediata e a longo prazo, além de uma redução da pressão arterial, com relação à condição ND.
 
“O presente estudo indica que a mudança de curto prazo para a dieta mediterrânea pode melhorar os aspectos de humor e saúde cardiovascular em mulheres jovens e saudáveis”, concluem os autores. “Em função desses resultados, futuras pesquisas serão necessárias para avaliar melhor os benefícios psicológicos de seguir essa dieta, incluindo a avaliação cognitiva global, em populações saudáveis e enfermas”, afirmam.

Referência(s)

Lee J, Pase M, Pipingas A, Raubenheimer J, Thurgood M, Villalon L. Switching to a 10-day Mediterranean-style diet improves mood and cardiovascular function in a controlled crossover study. Nutrition. 2015;31(5):647-52.

Proteína de ervilha é uma alternativa à proteína do soro do leite para atletas

Um estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition, demonstrou que a suplementação com proteína de ervilha promoveu ganho de espessura muscular durante o treinamento de resistência‏, podendo ser uma alternativa à suplementação com proteína de soro do leite, a ser utilizada por atletas que seguem uma dieta vegetariana restrita.
 
Trata-se de um estudo duplo cego, randomizado, no qual 161 indivíduos do sexo masculino com idade entre 18 e 35 anos foram submetidos a 12 semanas de treinamento de resistência nos músculos dos membros superiores. Os participantes foram aleatoriamente divididos entre 3 grupos de acordo com a suplementação: proteína de ervilha (n=53), proteína de soro do leite (n=54) e placebo (n=54). O desfecho primário avaliado foi o aumento da espessura muscular e o desfecho secundário foi a força muscular.
 
De acordo com os resultados, houve um aumento significativo na espessura do músculo do bíceps braquial em todos os indivíduos, porém, esse aumento foi significativamente maior no grupo que tomou a proteína de ervilha em relação ao placebo. O grupo da suplementação com proteína de ervilha teve um aumento na espessura muscular de 20,2±12,3%, enquanto o aumento observado no grupo soro do leite foi de 15,6 ± 13,5%, e no placebo foi de 8,6 ± 7,3% (p<0,05). Não houve diferença estatística no aumento da espessura muscular entre os grupos ervilha e soro do leite. A força muscular também aumentou, mas não houve diferença estatística entre os grupos.
 
“Além de apresentar uma composição adequada com relação aos aminoácidos, a suplementação com proteína de ervilha promoveu maior aumento na espessura do músculo”, concluem os autores. “Uma vez que nenhuma diferença foi obtida entre os dois grupos de proteínas com relação à força muscular e ao aumento da espessura muscular, a proteína de ervilha pode ser utilizada como uma alternativa aos produtos alimentares à base de soro de leite”, afirmam.

Referência(s)

Babault N, Païzis C, Deley G, Guérin-Deremaux L, Saniez MH, Lefranc-Millot C, et al. Pea proteins oral supplementation promotes muscle thickness gains during resistance training: a double-blind, randomized, Placebo-controlled clinical trial vs. Whey protein. J Int Soc Sports Nutr. 2015 Jan 21; 12(1):3.

 

Data:            09/10/2015
Autor(a):       Alweyd Tesser

Deficiência de vitamina B12 em crianças está associada ao desempenho escolar

Um estudo publicado no The Journal of Nutrition, demonstrou que a deficiência de vitamina B12 em crianças está associada à repetição de série e absenteísmo escolar, independente dos níveis de ferro, folato, zinco e vitamina A.
 
Micronutrientes são essenciais para o desenvolvimento neurocognitivo e seu papel em resultados educacionais está claro. Diante desse cenário, Duong e colaboradores recrutaram 3.156 crianças com idade entre 5 e 12 anos a partir de escolas públicas de Bogotá, na Colômbia. No início do ano escolar, foram coletadas amostras de sangue para análises de ferritina circulante, hemoglobina, zinco, vitaminas A e B12, eritrócitos e volume corpuscular médio (VCM). A taxa de absenteísmo foi registrada semanalmente durante o ano escolar, e a repetência foi determinada no ano seguinte.
 
De acordo com os resultados, o risco de repetência foi de 4,9% e a taxa de absenteísmo foi de 3,8 dias por criança durante o ano de observação. A deficiência de vitamina B12 (<148 pmol/L) foi associada a um risco 2,36 vezes maior de repetência em comparação com as concentrações plasmáticas ≥148 pmol/L (95% CI: 1.03, 5.41; P = 0.04). Os outros micronutrientes não foram relacionados com a repetência.
 
A deficiência de vitamina B12 também foi associada às taxas de absenteísmo escolar. As crianças com deficiência de vitamina B12 apresentaram uma taxa 1,89 vezes maior de absenteísmo em comparação com crianças que tinham níveis plasmáticos de vitamina B12 ≥148 pmol/L (IC 95%: 1,53, 2,34; p <0,0001).
 
“A deficiência de vitamina B12 foi associada com maiores taxas de repetência e evasão escolar de crianças em idade escolar em Bogotá, Colômbia”, concluem os autores. “Os efeitos da correção da deficiência dessa vitamina sobre os resultados educacionais e o desenvolvimento neurocognitivo das crianças nessa faixa etária, têm de ser determinados em estudos de intervenção”, afirmam.

Referência(s)

Duong MC, Mora-Plazas M, Marín C, Villamor E. Vitamin B-12 Deficiency in Children Is Associated with Grade Repetition and School Absenteeism, Independent of Folate, Iron, Zinc, or Vitamin A Status Biomarkers. J Nutr. 2015; 145(7):1541-8.

Data:            02/10/2015
Autor(a):       Alweyd Tesser